Page 9 - Revista Metropolis nº73
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TIAGO ALVES









                                                                                          DOR E GLÓRIA
                                                                                       PEDRO ALMODÓVAR









            Três jóias da coroa do sucesso de box-office à portuguesa   dos nossos recantos cinematográficos (basta ver a
            que por sua vez não se lançaram pelo facilitismo   consagração de Teresa Villaverde no Centro Pompidou
            televisivo ou de má qualidade à lá Leonel Vieira e   em Paris), ou da nova geração do qual se deve prestar
            companhia. Contudo, essas mesmas “assombrações”   atenção; Paulo Carneiro («Bostofrio»), Leonor Teles
            não ficaram de fora da nossa retrospetiva nacional,   («Terra Franca», «Cães que Ladram aos Pássaros»),
            «Tiro e Queda», que conta com a produção de Vieira e   Fernando Alle («Mutant Blast») e Pedro Cabeleira
            no protagonista a dupla humorista Manuel Marques   («Filomena») são alguns dos nomes a ter em conta.
            e Eduardo Madeira, ainda fez algumas vítimas, que   Por isso, contrariando o ditado de Alberto Barbera,
            apesar de terem feito numero (43 mil espectadores que   diretor de programação do Festival de Veneza, o qual
            o colocaram no 4º lugar dos mais vistos) foram muitos   apelidou do nosso cinema de austero e rigoroso (em jeito
            que se queixaram sobre a dita “qualidade” da “obra”   pejorativo), a produção nacional mostra resultados de um
            (em aspas para não misturar) nas redes sociais e outras   intenso trabalho de afirmação, adquirindo por fim a sua
            plataformas. Mas desviando o assunto, não podemos   pluralidade, diversidade e a desejada criatividade fora
            esquecer dos prémios e do glamour dos festivais, desde   dos mestres da nossa rica e por vezes turbulenta História
            o Leopardo de Ouro de Locarno atribuído a «Vitalina   do audiovisual.
            Varela», o novo feito de Pedro Costa, até à presença de
            «A Herdade» na Competição de Veneza (não víamos uma   Ainda há trabalho para ser feito, o cinema luso continua
            produção nossa nesta seleção desde «O Fatalista» de   cheio de preguiçosos táticos que desejam sentar na mesa
            João Botelho e «Espelho Mágico» de Manoel de Oliveira,   dos seus ídolos ou do cinema umbiguista e despachado
            ambos na edição de 2005) que tornou-se o nosso pré-  para amigos e apenas venerado por elites de nicho,
            candidato aos Óscares, para além da produção do Paulo   contudo, também ainda existe o amadorismo a confundir
            Branco mais vista no nosso país – 70 mil espectadores.   como indústria num intenso gesto de padronização.
                                                              Sim, repetindo a enfâse, ainda existe muito por
            Ou seja, tudo embarca em bom porto, e como tal não   fazer, o ouro atribuído é só compensação. Esperamos
            poderemos esquecer das confirmações de talento    impacientemente pela verdadeira pepita.



                                                                                             MELHORES2019
                                                                                             METROPOLIS JANEIRO 2020   9
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